quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Senado realiza audiência no Rio de Janeiro para investigar assassinato de jovens

 Rio figura em 11º lugar no País em número de assassinato de adolescentes


A principal causa de mortes de jovens entre 16 e 17 anos no Brasil é o assassinato. Entre 1980 e 2013, houve um aumento de 640% nos homicídios de adolescentes no País. E a maior parte se deu por armas de fogo. Esses dados fazem parte da pesquisa Mapa da Violência 2015 – Adolescentes de 16 e 17 anos do Brasil, apresentada em junho pelo sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz durante audiência da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado que investiga o assassinato de jovens no Brasil. Em 1980, o vilão das mortes entre jovens era o acidente de trânsito, responsável por 12,7% do total, enquanto que 9,7% dos jovens nessa faixa etária morriam assassinados. No entanto, em 2013, essa porcentagem chegou a 46%, ou seja, de um total de 8.153 óbitos de pessoas nessa idade, 3.749 foram homicídios. De um total de 56 mil pessoas assinadas por ano no País, 53% são jovens.

Somente no Rio de Janeiro – Estado que representa o 11º lugar no ranking nacional de assassinato de jovens segundo o Mapa da Violência 2015 – foram assassinatos 323 jovens em 2013, uma taxa de 62,5 mortes para cada 100 mil adolescentes entre 16 e 17 anos. O Estado que registra maior taxa de mortalidade entre os jovens é Alagoas, com 147,0 a cada 100 mil; enquanto o de menor taxa é Tocantins, com 13,8. Para debater o assassinato de jovens no Rio, a CPI do Senado realiza audiência pública a partir das 9h30 do próximo dia 6 de novembro, na sede da OAB-Rio de Janeiro (Av. Marechal Câmara, 150 – Centro). 

Para a audiência, foram convidados representantes dos movimentos e organizações Anistia InternacionalViva RioObservatório de Favelas e Grupo Mães de Acari, entre outros representantes de organismos ligados às áreas de direitos humanos e de segurança pública, tais como Secretaria Estadual de Segurança Pública, Juizado da Criança e do Adolescente, Polícia Militar e Polícia Civil e Defensoria Pública.  Também foram convidados pesquisadores e especialistas como o sociólogo Michel Misse, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Ignacio Cano, do Laboratório de Análise da Violência da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ); o delegado Orlando Zaccone; Robert Mugah, especializado em segurança e desenvolvimento e diretor de pesquisas do Instituto Igarapé; e o antropólogo e cientista político Luís Eduardo Soares, ex-secretário nacional de Segurança Pública. 
                
Segundo a presidente da Comissão, senadora Lídice da Mata (PSB-BA), “a CPI é extremamente importante porque irá garantir a investigação de uma situação que aflige a população brasileira, mães e pais de família que perdem seus filhos diariamente nas periferias das grandes cidades”. A parlamentar reforça a necessidade de se investigar e propor políticas públicas voltadas aos jovens entre 16 e 27 anos de idade: “Trata-se de uma agenda extremamente importante para a juventude brasileira”, afirmou.

Morrem mais jovens negros - Ainda segundo o pesquisador do Mapa da Violência, para cada jovem que morre assassinado na Áustria, morrem 250 no Brasil. A maioria das vítimas são homens, negros, de baixa escolaridade, pobres e moradores das periferias das cidades. Também morrem três vezes mais negros do que brancos: em 2013, foram assassinados 703 adolescentes brancos de 16 e 17 anos no Brasil e 2.737 adolescentes negros na mesma faixa etária. Naquele ano, a taxa de homicídios de adolescentes brancos de 16 e 17 anos foi de 24,2 para cada 100 mil, enquanto a taxa equivalente de negros foi de 66,3 por 100 mil. A vitimização negra foi de 173,6%, isto é, morrem, proporcionalmente ao tamanho das respectivas populações, 2,7 vezes mais adolescentes negros do que brancos.

Outra pesquisa, realizada em 2012 pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), apontou que mais de 42 mil adolescentes, entre 12 e 18 anos, poderão ser vítimas de homicídio nos municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes até o ano de 2019. Isso significa que, para cada grupo de mil pessoas com 12 anos completos em 2012, 3,32 correm o risco de serem assassinadas antes de atingirem 19 anos de idade. A taxa representa um aumento de 17% em relação ao ano de 2011. Adolescentes negros têm quase três vezes mais chance de morrer assassinados do que os brancos, segundo o Unicef. Outro fator é que a maioria dos homicídios é cometida com arma de fogo. De acordo com outro estudo, o Mapa da Violência 2014, em 2012 foram 473 mortes violentas de meninos entre 10 e 14 anos; e 9.295 adolescentes e jovens com idade entre 15 e 19 anos assassinados no Brasil, o que equivale a 28 mortes por dia.

Sobre a CPI - A CPI foi instalada em maio no Senado e o relatório final está previsto para ser apresentado no início de fevereiro de 2016. Desde a instalação, a Comissão já realizou 22 reuniões, das quais 14 foram audiências públicas. Outras 14 audiências estão previstas até o final do ano, incluindo a do Rio de Janeiro.  Nos estados, já foram realizadas audiências em Recife (PE), Manaus (AM), Natal (RN) e Boa Vista (RR). Estão previstas, ainda, audiências em Mato Grosso, São Paulo, Salvador, Luiziânia (GO) e sertão pernambucano.

                Compõem a CPI, como membros titulares, além da senadora Lídice da Mata, propositora e presidente da Comissão, e o relator Lindbergh Farias, os senadores Paulo Paim (PT-RS), como vice-presidente; Roberto Rocha (PSB-MA), Ângela Portela (PT-RR), Telmário Mota (PDT-RR), Simone Tebet (PMDB-MS), Maria do Carmo Alves (DEM-SE) e Magno Malta (PR-ES).  Como suplentes, participam os senadores Humberto Costa (PT-PE), Fátima Bezerra (PT-RN) e Randolfe Rodrigues (PSOL-AP).  

Dados oficiais – O relator Lindbergh Farias apresentou requerimento para que a CPI solicite às autoridades dos poderes Executivo e Judiciário de todos os estados e do Distrito Federal que forneçam informações sobre a quantidade de jovens entre 12 e 29 anos mortos entre janeiro de 2014 e outubro deste ano em intervenções policiais. A CPI também irá verificar a raça e o sexo das vítimas, o número de jovens desaparecidos no mesmo período e a quantidade de policiais assassinados. “Haverá um compromisso oficial do Senado, assumido pelos pesquisadores que receberem os dados, de não divulgar as identidades das vítimas nem dos seus familiares”, explicou o senador. O relator quer ainda ter acesso ao número de inquéritos de “autos de resistência” ou morte em decorrência de intervenção policial encaminhados ao Ministério Público de cada Estado entre os anos de 2007 a 2014.

Próximas ações - Secretários de Segurança do Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e Ceará serão convidados para apresentar no Senado dados e indicadores sobre homicídios de jovens em seus estados nos últimos anos. Requerimento com esse objetivo foi apresentado pela senadora Lídice da Mata. Ela lembra que uma das preocupações levantadas por pesquisadores e entidades que atuam nas áreas de segurança pública e de direitos humanos é “a ausência de dados qualificados para que seja possível realizar um diagnóstico preciso sobre as diversas nuances das mortes violentas de jovens a fim de propor medidas mais efetivas de enfrentamento do problema”. Além da audiência pública com os secretários, a CPI também promoverá uma audiência no Senado para abordar o tema da violência, para a qual serão convidados a psicanalista Maria Rita Kehl e os jornalistas Gilberto Dimenstein e Caco Barcellos.
IMPORTANTE: o Portal do Senado disponibiliza a íntegra dos documentos e estudos apresentados na CPI: http://legis.senado.leg.br/comissoes/audiencias?codcol=1905)

SERVIÇO

Audiência pública da CPI do Assassinato de Jovens no Brasil (Senado Federal)
Dia e horário: Sexta-feira, 09/11/2015 – 9h30
Local: Auditório da OAB-RJ (Av. Marechal Câmara, 150 – Centro)

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Cinema, Juventude e Esperança.

Assistir ao filme TUDO O QUE APRENDEMOS JUNTOS, foi como ver a vida acontecer na tela do cinema, não apenas pela maneira com a qual o diretor resolveu contar aquela história, mas também a forma como essas histórias, recorrentes na vida de quem mora nas periferias do Brasil, foram interpretadas. A escolha  de um elenco formado por jovens da periferia deu veracidade ao texto, pareciam que eles estavam ali contando um pouco das suas vidas, sem roteiro a seguir. Lázaro Ramos foi a melhor escolha para fazer o papel do professor Laerte, ele também, menino da periferia de Salvador, deu veracidade aquele papel de mestre e aprendiz.

Quando nós do Mídia Periférica, resolvemos iniciar o nosso projeto de cinema de rua, o "Cine Mídia Periférica", a nossa proposta sempre foi levar pra as comunidades filmes que falassem a nossa língua, que fossem produzidos pelas pessoas da periferia, contassem a nossa história, porque a gente percebeu a importância de termos a nossa própria voz, a importância da representatividade, e nesse filme, a protagonista é a vida dos jovens da comunidade de Heliópolis (SP).

Com uma trilha sonora basicamente de rap brasileiro, contrastando com a música clássica que permeia toda a trama, o filme mostra que nenhuma cultura é melhor do que a outra, sacada genial da equipe do longa. E reitera o que a periferia diz há muito tempo: existe cultura na favela, independente do que o resto da sociedade determine como arte, independente dos projetos sociais que ali se instalem. 

O que fica ao final é a certeza de que a juventude é de fato o futuro, mas pra que dê certo, é preciso um olhar sem preconceito, a valorização e o empoderamento desses jovens.

Recomendamos fortemente! Assistam!
A estréia nacional será em 03 de dezembro de 2015.




Na sexta, 30 de outubro, estaremos presente na estréia de outro filme do Diretor Sérgio Machado: AQUI DESTE LUGAR, o filme mostra a transformação na vida dos brasileiros que viviam na extrema pobreza.

SERVIÇO: Lançamento do filme AQUI DESTE LUGAR.
QUANDO: 30/11/2015 às 13:45
QUANTO: R$ 10 (inteira) R$ 5 (meia)

Sinopse:

Nos últimos dez anos, milhões de famílias brasileiras cruzaram a linha da pobreza extrema. Essa história é contada em ‘Aqui deste lugar’ através de três famílias espalhadas pelo nosso país-continente que compõem o retrato da transformação do Brasil e da forma como ela afeta cada indivíduo. O documentário mostra como as diferentes gerações assimilaram essa mudança e como está a nova família que nasceu sem eletricidade e hoje passa o dia em uma lan house

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Mídia Periférica marca presença no show dos Racionais MC’s

Na noite de sábado (17) o Mídia Periférica esteve presente na turnê “Cores & Valores” dos Racionais MC’s no Cais Dourado. Além da presença dos sortudos que ganharam a promoção realizada pelo MP em parceria com a produtora Boogie Naipe, estávamos lá fazendo a cobertura fotográfica do Show!

O grupo de rap voltou à capital baiana trazendo a sua turnê comemorativa dos 25 anos de carreira, em uma única apresentação, encerrada já na madrugada de domingo. Além das novas faixas de “Cores & Valores” o show foi marcado por grandes sucessos como Negro Drama, Diário de Um Detento e Vida Loka, essas, cantadas em coro por um público empolgado!

O Racionais apresentou um espetáculo completo para seus fãs, lançando mão de tela de leds, fumaça e uma áurea de mistério, superaram todas as expectativas! A noite rolou no maior clima de paz, deixando na gente que tava lá assistindo, a vontade de estar no show de encerramento dessa turnê, lá na Fundição Progresso (RJ). A noite contou também com shows de abertura do grupo Nova Era, MC Vandal e Dj Nai Sena e participações especiais de outros artistas da cena hip hop de Salvador.

Os Racionais MC’s surgem nos anos 80 na periferia de São Paulo. De lá pra cá os rappers paulistas Mano Brown, Ice Blue, Edi Rock e KL Jay vêm abordando em suas letras temas sociais da periferia,  denúncias e conscientização política. O álbum mais recente “Cores e Valores” foi lançado em novembro de 2014, trazendo no repertório quinze faixas inéditas.

O rap é reconhecido pela representatividade junto às juventudes das periferias, refletindo na formação da identidade, senso crítico e sentimento de pertencimento. Através dessa cultura de rua os rappers trazem nas letras a construção de narrativas sobre violência, desigualdade social, racismo e violação dos direitos

Mais significante do que ouvir a voz da periferia e sentí-la sendo representada, foi compartilhar o brilho nos olhos e realização de um sonho profissional e pessoal de um jovem negro, nascido e criado em Sussuarana, o Diego Pixaim, que realizou a cobertura fotográfica pelo mídia Periférica. Fã dos Racionais desde os oitos anos, ele afirma que cresceu ouvindo os rappers e tendo-os como referências:

"Quando fiquei sabendo que o MP tinha me selecionado pra fazer essa cobertura fiquei louco, não acreditava que iria em um só dia realizar dois sonhos: fotografar um grande show e conhecer de perto esses caras que sou fã desde criança. No momento eu não sabia se registrava as cenas ou se gritava e cantava euforicamente. Falei com o Mano Brown e o abracei com lágrimas nos olhos, me senti realizado! Só tenho a agradecer ao MP por essa oportunidade. Espero que como essa, muitas outras possam vir!", contou Pixaim sobre a experiência. E concluiu com um trecho da música "Diário de um detento": "AQUI ESTOU, MAIS UM DIA!"

Representatividade, reverberação e empoderamento da juventude de periferia. Aqui tem jovem negro da quebrada ocupando espaços, protagonizando lutas e ações, tendo vez e se fortalecendo coletivamente. 

De onde a gente vem tem mais, muito mais!







sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Jovens se reunem na capital para o último Encontro Interterritorial de Juventude do Leste Baiano

Por Bruna Calasans.

O Mídia Periférica realizou cobertura colaborativa nos dois dias do Encontro Interterritorial de Juventude do Leste Baiano. As atividades foram iniciadas com o credenciamento na manhã de quinta-feira (08), no auditório do Hotel Sol Victória Marina.
Segundo a organizacão do evento 103 delegados do território Metropolitano de Salvador e 24 do Recôncavo Baiano (além dos participantes observadores) estiveram reunidos dialogando as necessidades e fortalecendo a pauta das propostas surgidas nas etapas municipais das Conferências de Juventude. 
O primeiro dia foi marcado por palestras e contribuições do plenário. Hoje pela manhã a programação foi retomada com o balanço da política estadual,  apresentado por Jabes Soares (coordenador estadual de juventude). Após o almoço os participantes foram divididos em grupos de trabalhos, tendo em vista o debate sobre as necessidades territoriais e a formulação de propostas que irão subsidiar a construção do Plano Estadual de Juventude. Ao final da tarde as propostas foram aprovadas, encerrando com a eleição de 82 delegados do território Metropolitano de Salvador e 14 do Recôncavo Baiano.
As etapas que antecedem a Conferência Nacional buscam oportunizar espaços de debates e diálogos com atenção para o desenvolvimento e aplicação de políticas públicas para a juventude, potencializando a participação social e o protagonismo juvenil diante da formulação de propostas e estratégias que contribuam com a mudança do Brasil. Os diálogos priorizaram os eixos temáticos do Estatuto da Juventude, pautando os direitos que devem ser assegurados, sobretudo: a emancipação e autonomia juvenil, bem-estar juvenil, desenvolvimento da cidadania e organização juvenil, apoio à criatividade juvenil e reconhecimento das diversidades.
O evento foi promovido pelo Conselho Estadual de Juventude (Cejuve) em parceria com a Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS). E antecede a Conferência Estadual de Juventude, que acontecerá entre 29 e 31 de outubro, também em Salvador.
A ocupação de espaços de deliberação como esse pela juventude é de extrema importância, propiciando a participação social, reflexão crítica e o protagonismo juvenil. A juventude precisa ser empoderada, ter vez nas decisões e estar atenta ao monitoramento das políticas públicas.


  



quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Salvador (BA) realiza Seminário “Juventude Negra de Terreiro e os desafios no mundo de trabalho”

Seminário “Juventude Negra de Terreiro e os Desafios no Mundo do Trabalho” acontece nesta sexta (25/09), às 9h, no Centro Cultural da Câmara Municipal de Salvador (BA). Com a proposta de que jovens representantes do poder público, conselhos, organizações não governamentais e agências internacionais debatam sobre os possíveis caminhos para que as políticas aumentem sua contribuição a experiência de uma juventude plena de direitos.

O desemprego de jovens negros, principalmente na região nordeste, o processo de precarização do trabalho, que atinge os jovens e o pouco espaço que as propostas de geração de trabalho, renda e qualificação profissional tem tido no país, são questões a serem discutidas dentro do seminário.

Serviço:
O quê: Seminário “Juventude Negra de Terreiro e os Desafios no Mundo do Trabalho”
Onde: Centro Cultural da Câmara Municipal, Praça Tomé de Souza, Centro, Salvador (BA)
Quando: 25/09, das 9h às 17h.

Para fazer sua inscrição, clique aqui.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Filme Capitães da Areia será exibido na Baixa da Paz, em Sussuarana, neste domingo (27).

“A sessão de cinema aberta à comunidade faz parte do projeto Cine Mídia Periférica, idealizado pelo Grupo Mídia Periférica” 


No próximo domingo (27/09), o projeto Cine Mídia Periférica, irá exibir o filme “Capitães da Areia”, da cineasta Cecília Amado, para a comunidade da Baixa da Paz, localizada no bairro de Sussuarana. Esta será a segunda exibição de filmes promovida pelo projeto, que acaba envolvendo toda a comunidade. Com um telão e distribuição de pipoca e refrigerante, a ideia é proporcionar aos moradores um pouco da experiência de cinema. A única exigência é que cada morador leve seu banquinho, para colaborar com a atividade.

A segunda sessão se dá pelo sucesso que foi a primeira exibição, quando cerca de 50 pessoas se juntaram para assistir ao filme "5x Favela - Agora Por Nós Mesmos". A expectativa é que a próxima sessão possa levar 100 pessoas ao local. “Para o jovem de classe média, ir ao cinema pode ser um lazer rotineiro. Mas para a maioria das pessoas que mora nas periferias e não tem acesso à cultura, esse é um lazer quase raro, seja pela dificuldade de locomoção, seja por questões econômicas”, destacou o idealizador do projeto, o jovem Enderson Araújo.

A exibição do filme Capitães da Areia conta com a colaboração da cineasta Cecília Amado, que emprestou o filme, além da cooperação do “Grupos de Apoio Cultural da Comunidade de Sussuarana (GACCSS)”, do programa governamental Estação Juventude, que emprestou os equipamentos, e da produtora Tenda dos Milagres.

Sobre o filme

Pedro Bala, Professor, Gato, Sem-Pernas, Boa Vida e Dora, personagens imortalizados na obra de Jorge Amado, ganham as telonas do cinema em Capitães da Areia, filme assinado por Cecília Amado, neta do escritos baiano Jorge Amado. Assim como no romance publicado na década de 1930, a narrativa traz a história de um grupo de crianças e adolescentes abandonados por suas famílias que crescem nas ruas de Salvador, praticando assaltos, e fugindo da polícia enquanto lutam para sobreviver. Liderada por Pedro Bala, a trupe é conhecida por Capitães da Areia pela facilidade que tem de se camuflar sem deixar pistas e sem ser notada. Assim, ao longo de um ano, os garotos encaram diversas aventuras, realizando sonhos e vivendo reais pesadelos.

Sobre o Cine Mídia Periférica

O Cine Mídia Periférica é um projeto idealizado pelo Grupo Mídia Periférica. O objetivo é rodar por vários locais da comunidade, levando diferentes filmes e aproximando a cultura para as pessoas desses locais. Além disso, a iniciativa tem o intuito de igualar os direitos de acesso à cultura, educação e comunicação. A ideia é exibir sessões quinzenais, com o objetivo de atingir todas as áreas da comunidade. Os filmes a serem exibidos têm temática voltada a questões sociais que servirão de base para discussões e outras atividades pela comunidade.

Serviço
Exibição do Filme Capitães da Areia
Data: 27 de Outubro
Horário: 17h
Local: Campo de Futebol, Baixa da Paz - Sussuarana
Contato: Enderson Araújo - 9220-2546

sábado, 19 de setembro de 2015

Emicida, Dandara Marques e Domenica Dias na Globo Falando Sobre o Racismo no Brasil. É Dedo na Ferida.

"Essa coisa de democracia racial no Brasil não existe, essa coisa foi inventada. A democracia racial no Brasil é assim, o táxi não para pro negro mas a viatura para"
Fotos: Reprodução do Facebook e Google.
O Rapper Emicida, foi o convidado do programa Altas Horas, da TV Globo, que foi ao nesse Sábado (19.09). O Programa tem um quadro, onde pessoas contam histórias reais vividas, no programa desse sábado, foi discutido o Racismo, na oportunidade, o Serginho Groisman bateu um papo com a jovem negra Pernambucana, Dandara Marques, que foi vitima de Discriminação Racial em uma rede social, após ter uma foto publicada por um paulista, com comentários do tipo "Me dê uma caixa de fósforos que faço progressiva nessa infeliz", se referindo aos cabelos de Dandara que também é gestora ambiental. Segundo Dandara, as palavras foram 'fortes'. "Eu sempre passei por isso, mas não de uma forma tão explícita assim. Ele me colocou numa situação muito aberta, numa rede social, todo mundo teve acesso a isso", comentou. Ao iniciar sua fala, Dandara explicou para o publico de auditório e os telespectadores, quem foi Dandara “Para quem não sabe, Dandara militante negra, guerreira aliada de Zumbi dos Palmares, eu fui e sou Dandara”. Leiam mais aqui: http://g1.globo.com/pernambuco/noticia/2015/09/pernambucana-e-vitima-de-comentarios-racistas-em-rede-social.html.

Antes de abrir o quadro onde discorreria a conversa com a Dandara, o apresentador fez uma pergunta sobre o racismo para uma garota que estava na plateia do programa, era a Domênica Dias, filha do Mano Brown, na oportunidade, o apresentador questionou a jovem, sobre o racismo, ela respondeu que o racismo é mais violento, quando voltado contra a mulher negra, ele tem uma força de destruição muito maior, mas podemos perceber isso nas produções das telenovelas, onde as mulheres negras aparecem como objetos de sexualização ou empregadas domesticas serviçais, poucas foram as que tiveram posição de poder.

Durante o programa, Serginho questionou o Emicida sobre as questões raciais no Brasil, algumas pessoas assistiam o programa mais para ouvir as rimas do Emicida ou ouvir os clássicos dos sambas de Jorge Aragão e Diogo Nogueira, mas o que impressionou de verdade foi ouvir “Passarinhos” uma das novas faixas do Emicida, e ouvir seus posicionamentos quanto ao Racismo, ao citar na sua primeira intervenção que o Brasil é um País Racista, pois mata 77% de jovens negros ao ano.

Já a sua segunda intervenção, vem depois que o também convidado Marcus Caruso - ator-branco-sabe-tudo - resolve falar sobre racismo e defender a democracia racial. Emicida tem que explicar pra ele:
1 - O Brasil é assim: Quando a miscigenação clareia, às pessoas aplaudem e quando escurece a sociedade condena. O racismo é perverso e cruel.
2 - Essa coisa de democracia racial no Brasil não existe, essa coisa foi inventada. A democracia racial no Brasil é assim, o táxi não para pro negro mas a viatura para...
O Artista foi aplaudido de pé, e citou que estamos em obras, acredito que ele se referia que o país ainda tem jeito, que a militância é essencial para mudar o cenário, ter pretos assumindo postos, o Rap entrando nas programações das grandes emissoras, é um avanço, porém os negros ainda incomodam, exemplo de Dandara ao estampar sua beleza negra. A branquitude é mesmo um lugar de poder. A branquitude é mesmo uma posição de privilégio.

Obrigado Dandara e Emicida e Domenica, vocês colocaram o Dedo na Ferida de um país racista, sexista, homofóbico e desleal com a sua maioria, que somos nós negros.

Texto: Enderson Araujo
Colaboração: Felipe Freitas