Douglas Rodrigues é mais um jovem negro que tem sua vida levada, pelo braço armado do governo, a PM de São Paulo, aquela que mata mais que na guerra do Iraque, enquanto a Presidencia da República leva esperança a cidade sangrenta que é São Paulo com o lançamento do Plano Juventude Viva no ultimo dia 25/10, a PM e o Estado de SP, mata sem dó nem piedade e a única explicação é que matou por acidente, nossas mortes não podem ser meros acidentes, pois são verdadeiros extermínios contra nós, Jovens Negros de Periferia.
Em solidariedade a família, podemos atuar também nas redes sociais colocando a imagem abaixo como capa de nosso Facebook, pois a policia não matou somente o Douglas, mas todos nós jovens negros sangramos todos os dias com cada morte de nossos amigos.
Em Brasilia no ultimo dia 10 de outubro, em audiência pública no senado federal que tratou sobre a Violência contra a Juventude Negra no País, a Senadora Lídice da Mata - PSB -BA, se comprometeu em convocar os senadores para criar uma CPI mista no senado, para poder investigar as mortes de jovens negros, então podemos solicitar junto a senadora que essa CPI acompanhe o caso de Douglas e que pressionem o governo de São Paulo e a Policia Militar, para que esse policial seja punido e que não só o caso do Douglas, mas os de outros jovens que são levados de suas famílias diariamente, esses jovens tem cor, são negros e de periferia.
Coloque a imagem abaixo como capa, que aparecerá como se fosse a sua imagem, perguntando porque a policia te matou, pois a minha esperança e a de muitos outros jovens, se foram com o Douglas.
#SomosTodosDouglasRodrigues #DesmilitarizacaoJá #ForaAlckimin
terça-feira, 29 de outubro de 2013
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
Programa I Love Periferia (Teaser) - Mano Brown no Capão Redondo
"A periferia está cada vez mais nociva aquela sociedade que quis por muito tempo calar a voz dos oprimidos, o Mídia Periférica lançou um teaser do programa de Web Tv I Love Periferia, a roteirização da entrevista foi do Enderson Araujo, fundador do Mídia Periférica, já a edição do material está sobre o encargo do Rodrigo Sousa, do coletivo Paulista Mundo em Foco, Enderson e Rodrigo se conheceram na entrega do Premio Laureate de Empreendedores Sociais, logo nasceu uma parceria entre estes dois baianos arretados, Rodrigo é erradicado na periferia de São Paulo, e é produtor de cinema.
Para Enderson, entrevistar o Mano Brown, dentro de sua comunidade e sem o recorte de "artista" foi sensacional: "Falar com o Brown, sobre sua infância no Capão Redondo e como foi crescer lá, para mim foi fantástico, não foi uma entrevista, foi uma troca de ideia filmada, e o melhor, sem script". No mês de novembro, o programa I Love Periferia ficará pronto na integra e terá um lançamento em grande estilo, essa produção teve a parceira da produtora do Mano Brown, a Boogie Naipe.
Em breve esse "Moleque Atrevido" irá estrelar o I Love Periferia, fazendo valer o nosso direito de se comunicar, de informar e desmarginalizar a periferia, mostrando o que nela há de valor"
Prévia da entrevista cedida ao Mídia Periférica, pelo artista Mano Brown do grupo Racionais, lá no Capão Redondo, periferia de São Paulo.
http://correionago.ning.com/video/i-love-periferia-promo-enderson-entrevista-mano-brown
Fonte: Auê Entretenimento
Para Enderson, entrevistar o Mano Brown, dentro de sua comunidade e sem o recorte de "artista" foi sensacional: "Falar com o Brown, sobre sua infância no Capão Redondo e como foi crescer lá, para mim foi fantástico, não foi uma entrevista, foi uma troca de ideia filmada, e o melhor, sem script". No mês de novembro, o programa I Love Periferia ficará pronto na integra e terá um lançamento em grande estilo, essa produção teve a parceira da produtora do Mano Brown, a Boogie Naipe.
Em breve esse "Moleque Atrevido" irá estrelar o I Love Periferia, fazendo valer o nosso direito de se comunicar, de informar e desmarginalizar a periferia, mostrando o que nela há de valor"
Prévia da entrevista cedida ao Mídia Periférica, pelo artista Mano Brown do grupo Racionais, lá no Capão Redondo, periferia de São Paulo.
http://correionago.ning.com/video/i-love-periferia-promo-enderson-entrevista-mano-brown
Fonte: Auê Entretenimento
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
Boletim da Juventude - Semana de 21 a 25 de Outubro 2013
Semana de 21 a 25 de Outubro 2013
Secretaria Nacional de Juventude
· Divulgado resultado final dos projetos selecionados para o Estação JuventudeA Secretaria Nacional de Juventude (SNJ) publicou nesta segunda-feira (21/10) o resultado final dos projetos selecionados no edital 2013 do Programa Estação Juventude. A partir de agora, os municípios/estados terão até 21 de novembro para celebração dos instrumentos em 1ª chamada. Leia mais
· Nova mobilização pelo #FimDosAutosDeResistencia nesta terça-feira (22/10)
· Vários movimentos e organizações da sociedade civil estiveram mobilizados na última semana pela aprovação do Projeto de Lei (PL) 4471/12 , que prevê o fim do Auto de Resistência como ele é hoje. Nas redes sociais, foram realizadas manifestações expressivas a favor do PL com a Hashtag #FimDosAutosDeResistencia. Leia mais
Conselho Nacional de Juventude
· Prorrogadas inscrições para o Encontro de Conselhos da Região Sul. Inscreva-se até hoje (21/10)
Depois da Regiões Norte e Centro-Oeste, será a vez do Sul realizar o seu encontro regional de Conselhos, que antecede a etapa nacional, que acontecerá no mês de dezembro, em Brasília (DF). O encontro da Região Sul, que contempla os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, está agendado para os dias 26 e 27 de outubro, na cidade de Novo Hamburgo, situada no Vale dos Sinos. Inscreva-se! Leia mais
Juventude Viva
Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre racismo no Brasil, divulgado hoje (17), revela que a possibilidade de um adolescente negro ser vítima de homicídio é 3,7 vezes maior do que a de um branco. Segundo o estudo, existe racismo institucional no país, expresso principalmente nas ações da polícia, mas que reflete “o desvio comportamental presente em diversos outros grupos, inclusive aqueles de origem dos seus membros”. Leia mais
Participatório
· Contribuições para o Sinajuve foram prorrogadas até 31 de outubro
Foi prorrogado para o dia 31 de outubro o prazo para o envio de sugestões sobre o Sistema Nacional de Juventude, que terá a função de organizar as políticas de juventude em todos os níveis (União, estados, municípios e sociedade civil). As contribuições para o sistema, definido pelo Estatuto da Juventude, devem ser feitas pelo Participatório, no endereço http://www.participatorio.juventude.gov.br
O secretário-executivo do Comitê Interministerial de Juventude, Murilo Amatneeks, falou sobre o assunto à TV NBR: http://www.agrosoft.org.br/agropag/226909.htm
Assessoria de Imprensa: (61) 3411.1407
Conselho Nacional
de Juventude
www.juventude.gov.br/conjuve
Secretaria Nacional
de Juventude
www.juventude.gov.br
Secretaria-Geral da
Presidência da República
www.secretariageral.gov.br
terça-feira, 22 de outubro de 2013
Porradão Boladão #2 - Salvador, Cidade de Carroças.
Esta semana dentro de um ônibus da empresa CAPITAL da linha 1428 - Cajazeiras 11 x Lapa/Barra, se iniciou uma discussão, uma mulher havia pedido ao cobrador para avisar a ela quando estivesse perto de algum lugar, então o cobrador tentou avisar ao motorista, que não escutou, pois o motor do ônibus faz mais barulho que trio elétrico na avenida, cadeiras folgadas, ferragens mal parafusadas, janelas batendo e o pior, a cigarra que faz o sinal de parada, estava quebrada... enfim, a mulher foi tirar satisfação com o motorista que por sua vez, estava estressado, poxa, aquela "zuada" em 1h45min que fiquei no ônibus já quase me ensurdeceu, imagina no cara que fica 8 horas ali ouvindo? ai começou, a mulher falava e o motorista falava também, alguns passageiros preocupados pediram para ela parar e pediram calma ao motorista, que parou na Avenida Bonocô e foi ate o meio do ônibus e desabafou.
Isso pessoal, é o que acontece corriqueiramente no transporte público de Salvador, ônibus mega lotados, com baratas, quebrados e o transporte caro, causa stress não somente nos passageiros, mas também em quem esta conduzindo o veiculo, aquele que esta conduzindo nossas vidas, o sistema de transporte público de Salvador é uma verdadeira piada, basta lembrarmos do metrô que nunca sai, existem um tal transporte complementar que você se sente numa corrida de formula um, os caras disputam quem chegará primeiro, isso quando não lotam as topics. As estacoes de transbordo nem precisa falar, nenhuma tem estrutura para suportar as pessoas que ali passam pelas estações: Pirajá, Mussurunga e da Lapa, Banheiros imundos, lixo por toda parte, e um mal funcionamento nos horários dos ônibus, com isso acredito que está na hora de reivindicarmos por uma posição do seteps enquanto a estes descasos, ah! para que eu nao esqueça, acho que seria bacana a TRANSALVADOR colocar um numero de atendimento ao passageiro, que realmente atenda!
Enderson Araujo #PorradaoBoladao #Numero2
Curtam a nossa Page no Facebook: facebook.com/midia.periferica
Isso pessoal, é o que acontece corriqueiramente no transporte público de Salvador, ônibus mega lotados, com baratas, quebrados e o transporte caro, causa stress não somente nos passageiros, mas também em quem esta conduzindo o veiculo, aquele que esta conduzindo nossas vidas, o sistema de transporte público de Salvador é uma verdadeira piada, basta lembrarmos do metrô que nunca sai, existem um tal transporte complementar que você se sente numa corrida de formula um, os caras disputam quem chegará primeiro, isso quando não lotam as topics. As estacoes de transbordo nem precisa falar, nenhuma tem estrutura para suportar as pessoas que ali passam pelas estações: Pirajá, Mussurunga e da Lapa, Banheiros imundos, lixo por toda parte, e um mal funcionamento nos horários dos ônibus, com isso acredito que está na hora de reivindicarmos por uma posição do seteps enquanto a estes descasos, ah! para que eu nao esqueça, acho que seria bacana a TRANSALVADOR colocar um numero de atendimento ao passageiro, que realmente atenda!
Enderson Araujo #PorradaoBoladao #Numero2
Curtam a nossa Page no Facebook: facebook.com/midia.periferica
segunda-feira, 3 de junho de 2013
Roda de Conversa – Juventudes Conectad@s
É com essa indagação que o Mídia Periférica propõe uma roda de conversa em São Paulo, entre esse jovens que estão usando as ferramentas das novas mídias e tecnologias para beneficio de seus trabalhos artísticos e comunitários. “Isso mostra uma postura pró - ativa e compromissada, pois evidencia a presença em um território promissor, mas é necessário avaliar a qualidade e a produtividade desses trabalhos nas redes e estimular o profissionalismo e o senso crítico também, pois eles formam opiniões.” Conta Ana Paula Alcântara, jornalista e assessora de imprensa do Racionais MC’s.
O intuito do encontro é promover uma discussão entre os jovens que utilizam as redes sociais, trazendo para o debate, aqueles que conseguiram alavancar suas atividades a partir desse novo modo de se comunicar. O momento será propício a compartilhamento de estratégias, de como potencializar suas redes, quais são as redes que podem viralizar a outra, enfim, será uma troca de ideias. "As redes são exemplo de pura democracia, quando usada de forma expressiva, há bons resultados, por isso os jovens precisam ir além da escrita e praticar a evolução e revolução que é possível tocar e sentir na prática. Eu apoio porque é legítimo." Contempla a fundadora da CUFA – Central Única das Favelas, Nega Gizza.
Para a atividade uma galera de peso que está ativa nas redes sociais de alguma maneira foi convidada, seja com empreendedorismo ou com atividades culturais e sociais. Segundo o mestre em Psicologia, Valter da Mata, o século XXI começa com uma grande transformação: a revolução tecnológica. Como toda transformação e novidade, ela é relativamente bem aceita pelos jovens. Essa revolução modificou de maneira decisiva as formas de encontro e troca de informação entre eles. “O que fazemos hoje é nos apropriarmos desses instrumentos e colocamos nossas notícias. Temos um foco e traçamos estratégias, pra que a informação na se perca narede. E isso acontece por que a galera cada vez mais procura formação para desenvolver essas atividades.” Conta a Produtora do coletivo Boom Clap, Lísia Lira.
Roda de Conversa – Juventudes Conectadas é uma iniciativa do Mídia Periférica, a ideia surgiu quando o jovem diretor do grupo foi ao Rio de Janeiro e convidou o comunicador Raul Santiago do Complexo do Alemão, para um encontro. Surgiu então a necessidade de ser um papo com mais jovens que se comunicavam através das redes, para trocar experiências a partir de suas realidades, então através do aplicativo Whatsapp, Enderson articulou o evento junto com Bruna Souza, jovem comunicadora do Rio de Janeiro. Desta vez não foi diferente, a articulação foi com Brenda Barbosa e a maior parte da troca de informações foi a partir de SMS. Com essa atividade o Mídia Periférica espera conscientizar os jovens sobre o poder das novas tecnologias e sobre como podemos mudar algumas realidades ou alavancar negócios a partir das mesmas. “Temos que estar conectados com tudo que está ao nosso redor, pois somos aquilo que pensamos e agimos" Conta, o DJ do Rapper Emicida, Fernando Silva Nyack, por inbox do Facebook.
Serviço
O que: Roda de Conversa Juventudes Conectadas
Onde: Auditório - Ação Educativa, Rua General Jardim, 660 - Vila Buarque, São Paulo
Quando: 05/06/2013 – Quarta Feira
Horário: 19h
Realização Mídia Periférica
segunda-feira, 20 de maio de 2013
Seminário do IRDEB contará com presença juvenil na mesa
Nos dias 20, 21 e 22 de maio de 2013, será promovido o I Seminário Comunicação, infância e Adolescência, idealizado pelo Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (IRDEB), da Secretaria de Comunicação Social do Estado da Bahia. O evento, que será realizado no Teatro do IRDEB, na Federação, em Salvador, vai reunir representantes de instituições públicas, privadas e não governamentais que trabalham com temáticas de comunicação e de defesa ou educação a crianças e a adolescentes.
Partindo do princípio de que os meios de comunicação de massa são agentes importantes para difusão de conhecimentos e informações em sociedade, o encontro pretende discutir sobre a produção em rádio para esses jovens.
No dia 21 de maio, uma Terça-Feira, está prevista a mesa que abordará o tema: Mídia, Juventude e Periferia, onde o explanador do tema será o Jovem Comunicador Fundador do Mídia Periférica e morador de comunidade Enderson Araújo, que tem um vasto currículo sobre o tema proposto a ele, o jovem vem seguindo os movimentos de democratização da comunicação no Brasil e tem um forte diálogo com os veículos de comunicação locais e nacionais, onde já fez trabalho em áudio e vídeo como, por exemplo: Cobertura ao Vivo da Semana Baiana de Hip Hop, para o programa Ação Periferia da Radio Nacional e tem feito reportagens para o programa Câmara Ligada da TV Câmara Nacional.
“A mídia alternativa tem realizado um grande papel no processo de democratização, pois nós jovens temos realizado grandes articulações a nível nacional com outros jovens de outros estados, afim de nos unirmos para combater a desigualdade e preconceito que são impregnados em nossas comunidades, através da mídia sensacionalista, mas entendemos que a mídia tradicional deve abrir espaços para que nós possamos reverberar nossos potenciais, para que possamos mostrar nossas comunidade de maneira que não venha marginalizar, pois nas periferias tem o que é bom, mas também o que é bonito e precisa ser mostrado” conta o jovem Enderson que também é blogueiro do Portal Ibahia, Correspondente do Portal Correio Nagô e membro da Rede Nacional de Jovens e Adolescentes Comunicadores.
Redação Mídia Periférica
Redação Mídia Periférica
domingo, 12 de maio de 2013
Por Celso Athayde: SETOR F
Desde que me entendo por gente e mesmo não sendo um grande conhecedor em economia, minha experiência como camelô vem me mostrando que o modelo empresarial no Brasil tem sido o responsável direto por muitos dos problemas sociais que vivemos. Chegar a essa conclusão não é difícil. Imagino que todos os líderes sociais, intelectuais, políticos, religiosos, empresariais, assim como os "buchas" de todos os setores também concordam com isso. O ponto central dessa questão é: quais as sugestões e alternativas temos para apresentar? Percebo que, ao longo dos anos, a Economia Social vem ganhando bastante expressão. Seus objetivos passam necessariamente pela solidariedade e pelo desenvolvimento integrado da comunidade. Ela tem contribuído muito com o Estado em suas ações e infelizmente até o substitui, em alguns casos extremos. Mas é claro que esse não é o seu papel. Acredito que a função principal seja a de construir alternativas e, até no limite, ser um prolongamento do Estado na implementação de suas políticas sociais. Em síntese, a Economia Social é o que transforma os valores e até os costumes de um ambiente e muda a vida das pessoas em um país capitalista.

Pensando nisso, quero propor um novo debate para esse momento, um novo pensamento na direção da economia da favela, que estou batizando de Setor F. O assunto merece atenção no que diz respeito ao fenômeno de renda dos moradores desse setor. O PIB de muitos países, o da Bolívia, por exemplo, é menor que o volume do movimento da economia das comunidades brasileiras. É importante perceber que não estou falando somente das periferias, e, sim, das favelas, que existem inclusive nas periferias. Caso contrário, esse número seria muito maior e estaríamos falando em quase 70% da população. É hora de todos atentarem para esse “velho” Setor F: os do asfalto ou os das favelas. Esse exercício serve, inclusive, como um dos caminhos para demover o preconceito. Até aqui, os argumentos que muitos usavam para não se aproximarem das favelas foram a geografia complexa dos terrenos, que dificulta o acesso e demanda supostos grandes investimentos, ou o receio do poder paralelo. O fato é: precisamos promover o encontro dos empreendedores desses dois mundos! Precisamos definitivamente assumir o desafio que é a geração de um valor compartilhado em que podemos revolucionar a administração, gestão e o planejamento dessa economia considerada ainda por muitos como paralela, por ser parte de um ambiente que tem uma cultura própria e seus próprios códigos de existência e desenvolvimento. Esse território que pulsa economicamente e que exige investimentos e legalidade plena. Esse mundo que quer ser incluído em todos os seus aspectos, e assim transpor todas as fronteiras que ainda existem.
Para provar que é perfeitamente possível, acabamos de criar a Favela Participações S/A (Favela Holding), um grupo integrado por 20 empresas que tem o foco de atuação nas favelas brasileiras. Trata-se se uma sociedade entre a Favela Holding e grandes empresas dos mais diversos setores. Essa sociedade dará vida a empresas de eventos, agência de viagens, publicidade, MMA, shoppings, fábricas de móveis, editora, instituto de pesquisa, distribuidora, expansão de negócios e mídia, só para citar algumas. A idéia central é que o empreendedor tenha a real percepção do retorno financeiro que essas comunidades irão trazer para o seu investimento. Em contrapartida, quero que o morador da favela tenha oportunidade de ser visto pelos empresários como protagonista desse processo de construção compartilhada. Ou seja, como sócios, de fato. Isso será feito pela primeira vez nessa relação comercial. Para que esses moradores possam executar esse papel de protagonismo, deverão se preparar para co-gerenciar seus negócios, para gerar lucros e para manter esse lucro dentro da própria favela, com o objetivo de promover uma melhor qualidade de vida ao lugar. Alguns parceiros já começaram a colaborar com esse processo de formação, como Fundação Dom Cabral e SEBRAE-RJ.
Acredito que a grande revolução brasileira será o avanço da economia nas favelas, uma sociedade de 12 milhões de pessoas. Do contrário, alardearemos que somos a sexta economia mundial, comemoraremos em breve que alcançamos a terceira, mas, se as favelas não se desenvolverem, só aumentaremos a distância entre o Brasil que cresceu e o outro Brasil que sucumbiu.
Exatamente por isso, resolvi investir em uma nova lógica de trabalho. O objetivo não é fazer nenhuma reparação ao trabalho que fiz com a CUFA até aqui, pois se tivesse que fazer novamente, eu faria exatamente a mesma coisa. Deixamos a CUFA como a instituição de maior capilaridade do país e uma das mais respeitadas que conheço. Mas, por outro lado, é preciso refletir o quanto é importante as organizações não virarem apenas um balcão de projetos. As ações não podem existir somente para fortalecer o ego das organizações e de seus líderes. Penso que um movimento social deve ser pautado pelo desenvolvimento dos coletivos, sejam eles parte ou não dessas organizações, sobretudo quando os recursos são públicos. Isso não é nem de longe uma crítica ao que foi possível fazer até aqui, afinal, nem sempre escolhemos as formas. Muitas das vezes, nos limitamos a seguir o fluxo.
A decisão de deixar a gestão da CUFA, apesar de me engajar em um projeto comercial que tem a mesma direção, pode não ser visto de forma natural por algumas pessoas. Novidades, sejam elas em que âmbito forem, sempre geram espantos. Mas, enquanto eu viver, serei um inquieto que tentará se divertir surfando no olho do furacão. Precisamos seguir novos rumos, trilhar na direção do que acreditamos. E claro, continuar pagando o preço por sermos vanguarda em muitas ações. Lembro, por exemplo, de quando fizemos o primeiro grande show em uma favela no Rio, talvez no Brasil. Foi na Cidade de Deus, no ano de 2000, mais precisamente em uma noite de Natal. Produzimos um mega show, com direito a muitas lágrimas dos artistas e do público. Um encontro memorável entre a Cidade de Deus e Caetano Veloso, Djavan, Dudu Nobre e Cidade Negra. A mídia fez desse histórico acontecimento um caso de polícia. Mesmo assim, o fato possibilitou a leitura da sociedade e do poder público de que a favela também era um lugar onde os grandes eventos culturais pudessem e devessem ser realizados. Até hoje, fazemos grandes eventos em favelas, com parceria de muitos que nos criticaram na época. O importante disso tudo é constatar que, hoje, outros tantos parceiros fazem esse tipo de ação e com sucesso. Outro caso emblemático foi quando fizemos o filme e o livro ‘Falcão: Meninos do Tráfico’. Lembro que, apesar de ter recebido prêmios em mais de 20 países, de ter recebido as homenagens mais importantes do país, o Bill e eu também fomos processados e acusados de fazer apologia ao crime e associação ao tráfico. Resistimos a tudo e seguimos em frente.
Felizmente, hoje essa resistência é reconhecida como um marco que possibilita muitas organizações e pessoas a se comunicarem com as favelas das mais variadas formas e até mesmo com o tráfico, com o objetivo de mediação de conflitos. Foi assim, em 2001, quando fizemos o primeiro projeto de formação de agentes da lei. A CUFA, em parceria com o Ministério da Justiça, qualificou guardas municipais para melhor se relacionarem com os jovens das favelas.
Eu poderia citar muitos outros momentos em que fomos considerados vanguarda na relação com comunidades, mas isso já passou e o futuro é o que nos desafia. Em nome desse desafio, lancei mão dessas relações para criar essa que é a primeira holding de favelas do mundo: a Favela Participações S/A.
Quero trazer à tona a discussão sobre a economia da favela, o Setor F: uma discussão sobre o que acredito ser a receita ideal do bolo capitalista, com muitos ingredientes dessa nossa economia social e compartilhada. Baseado no que construí, nas idéias que propaguei, em tudo o que acredito, e vindo de onde vim, eu precisava criar mecanismos para que o nosso desenvolvimento como conjunto fosse viável. E é aí que trago essa reflexão para essa nova mentalidade.
É importante que esses grandes empresários pensem além dos recursos disponíveis nas favelas. É preciso pensar no desenvolvimento de seus moradores, tanto para promover a empregabilidade em massa quanto o empreendedorismo. Para que os habitantes das favelas alcancem esse objetivo, antes de tudo, é preciso que os empresários percebam que uma sociedade entre eles seria mais do que um modelo que revolucionaria a economia das favelas. Deveriam considerar que seria o único modelo sustentável e que jamais foi testado coletivamente.
Para destacar os efeitos do Setor F, vou lembrar um pouco dos outros três setores. O primeiro setor: o privado capitalista, com fins lucrativos. O segundo: o setor público, que visa satisfazer o interesse geral da população. E o chamado terceiro setor, que é parte integrante da Economia Social e está ligado à economia solidária. Na esfera dessa Economia, estão o associativismo, o cooperativismo e o mutualismo como formas de organização da atividade produtiva. Mas é importante pontuar algumas semelhanças e diferenças entre esse novo Setor F e o terceiro setor, que é uma categoria que traduz certas práticas que podem ser aplicadas em qualquer lugar. O Setor F não. Esse é bem específico: focaliza territórios chamados favelas (chamados pelo IBGE de aglomerados sub normais). O terceiro setor combina geração de lucro com benefícios sociais. O Setor F faz dessa combinação um projeto de afirmação política e cultural de comunidades. Acredito que as favelas se tornarão mais poderosas, em todos os sentidos, e mais capazes de pensar criticamente sobre si mesmas e sobre o país, na medida em que passarem pela experiência educativa, de aprendizado e desenvolvimento, e de tornarem-se protagonistas de um processo de interesse pessoal e coletivo. Visto por esse prisma, o Setor F se torna qualitativamente diferente do terceiro, porque o todo é maior do que a soma das partes. Por isso, o Setor F não é apenas a soma do terceiro setor mais cultura e política. Ele converte-se em outro tipo de experiência coletiva. Isso impacta a própria dimensão econômica do que se chama Setor F, porque, se é preciso pensar o significado político e cultural de cada empreendimento, a avaliação não pode ser apenas econômica e social, como seria naturalmente no terceiro setor, do qual eu faço parte há quase 20 anos.
Daí a idéia de um shopping. Um shopping é um grande símbolo capitalista que pode ser apropriado e ressignificado, mantendo vários de seus aspectos clássicos como: lojas de marca, escadas rolantes, ar condicionado, praças de alimentação e um astral imponente. Nesse novo modelo, esse mesmo shopping pode construir novos aspectos também, como a presença das lojas locais que vão derramar produtos fabricados na própria favela, a exposição das mais diversas artes consumidas na comunidade ou ainda a relação entre seus próprios pares, na medida em que o ponto chave estará na relação entre os vendedores e clientes da própria favela, eliminando os históricos preconceitos. Outro ponto é a relação entre fraqueado e franqueadores, já que as marcas só garantem espaços no Favela Shopping se for via Franquia Social, ou seja, o franqueador investe em um empreendedor da favela, por ele identificado. Se por um lado haverá um investimento social ao ofertar a franquia, por outro haverá um ganho por muitos anos nesse mesmo espaço inovador. Para que esse modelo - de Franquia Social - seja aplicado, será preciso um processo de formação, qualificação e acompanhamento da gestão pelos que têm experiências em seus respectivos ramos de atuação. Mais do que isso: 100% dos funcionários do empreendimento deverão ser moradores da favela. Isso vai melhorar a qualidade de vida da população já que, além desses trabalhadores estarem menos tempo em trânsito, portanto mais tempo com seus familiares, o projeto vai gerar renda local e fazer com que esses valores permaneçam ali. Mas não paro por aqui. Como se não fosse bastante esse impacto positivo na economia da favela, outro aspecto, no caso dos shoppings, é a obrigatoriedade da criação de um projeto visual para todo o comércio no entorno do empreendimento, além de oferecer cursos de negócios para todos os comerciantes locais, visando o desenvolvimento dos interessados. Até mesmo o Estado tem a chance de pensar incentivos para estimular a o crescimento de empreendedores nessas comunidades.
Estou convicto de que estamos iniciando um processo empreendedor jamais visto! O tempo nos mostrou que nenhum desses setores foi capaz de resolver, ou mesmo entender, as mais diversas dimensões da economia das favelas. O grande ensinamento que fica e a grande reflexão que todos devemos fazer é: ou dividimos todas as riquezas que todos nós geramos, ou, infelizmente, seremos obrigados a continuar convivendo com as consequências da miséria que os concentradores de renda têm gerado ao longo da história. E todos temos a chance de mudá-la. A hora é agora!
CELSO ATHAYDE
Diretor Executivo da Favela Participações S/A
Assinar:
Postagens (Atom)





